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14/03/2006 23:27
CAMARADAS, POR MOTIVOS TÉCNICOS, ESTOU MUDANDO DE ENDEREÇO: O ESPAÇO AQUI FOI PARA AS CUCUIAS! AGORA PODEREI RESPONDER TODOS OS COMENTÁRIOS COM O DEVIDO RESPEITO E ATENÇÃO! ESPERO RECEBÊ-LOS EM MEU NOVO LAR! ABRAÇOS A TODOS!





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tela de Vicente do Rego Monteiro

enviada por L. Rafael Nolli



09/03/2006 23:27

Grafite em São Paulo

CANÇÃO DE NINAR

Dorme, pequeno.
Deixe os ruídos do mundo.
Os carros que cortam as ruas lá fora são bigas,
as luzes que se apagam são estrelas cadentes desenhando teu nome.

O vento fresco que deita o capim vem a teu encontro,
trará o frescor prata da lua para beijar a tua face ingênua.
Dorme antes que o peso do mundo deite sobre ti!

Dorme, pequeno anjo,
deite com os seres do altíssimo que desconhecem
as artimanhas das sombras.
Os cavalos pastam longe, aguardando sua vinda;
as cachoeiras clamam por ti!

Dorme, filho:
as corujas se foram para outros telhados;
os morcegos atazanam outras janelas;
os grilos ensaiam um coral em sua honra!

Sonha com as estrelas de uma intocada constelação!
Teus olhos estão voltados para alguma nebulosa distante?
Dorme, pequeno anjo:
antes que nos despejem as chuvas atômicas!

enviada por L. Rafael Nolli



01/03/2006 22:13
xviii



Houve um tempo onde "marcha soldado", "direita, volver" e prestar

continência eram algo mais que brincadeiras de criança: era um jogo

sério, repleto de reverências cordiais ao Führer.

Houve um tempo em

que esconde-esconde simbolizava uma inocente trama de molecotes

contando e outros se escondendo: nada semelhante aos entrincheirados

russos defendendo Stalingrado com unhas e dentes.


Houve esses tempos de guerra em vários lugares, não em mim mesmo. Eu

sempre estive nas brincadeiras de pique-pega e marcha soldadoâ. Meu

calor era simples mormaço de país tropical: mal soubera eu que houve os

calores fumegantes das metrancas eslavas cuspindo chumbo, os canhões

vermelhos despejado artilharia antiaéria.


Por mais que eu procurasse, nunca encontraria em meu corpo uma única

cicatriz de combate. Não existiam em meu mundo um exilado, morto por

míssil, um executado em paredão, o linchado, um baleado em vão.


Em meu caminho limpo, não existiu as trincheiras do Vietnã, nem as

minas desmenbradoras de uma Angola sumariamente dividida entre tribos

rivais.


Ah, mais que patético alienado que eu fui!

enviada por L. Rafael Nolli



16/02/2006 23:23

Tela de Frida Khalo

XLIII

A poesia refugiou-se, não morreu. Imcompleta, fragmentada, ela está borbulhando no mais profundo caldeirão de idéias: no peito do poeta, na voz do povo, na mais sangrenta terça-feira ou no débil gemido de uma criancinha ferida na escada.

Basta beber na fonte certa, desobstruir o obstáculo certo, delimitar e repensar os caminhos certos.

Despudorar: se o verso anunciar um hecatombe, dar ao povo, em anúncio não misericordioso, o hecatombe. Revoltar: se o verso exigir uma revolução, dar a todos a chama, o estopim, a ordem.

A poesia refugiou-se, não morreu. Ela se arma na mais verde floresta, na mais longínqua vontade, no mais profundo desejo: ela resurgirá como um afogado de três dias que vêm à tona para feder.

enviada por L. Rafael Nolli



11/02/2006 19:13


tela de Chris Ofili

AVISO DE DESPEJO

O poeta mente quando diz
que o amor é uma flor rara,
colhida nos verdejantes jardins da vida.

O amor, deveria ele dizer,
é o ato de desespero no qual se agarra o solitário:
é, por fim, o chão que anseia o pé do suicida –
mas em baixo há apenas abismo e caos.

Mente o poeta quando diz que o amor
é o porto seguro onde se ancora,
e mente duplamente quando
diz que Deus nos fez para amarmos uns aos outros.

O amor é a bóia que anseia o afogado,
mas há apenas mais mar e mais água em sua ânsia de boiar –
acima um pouco de céu sem fundo
em baixo um pouco de barro e lodo.

Amor é um cio estragado.


enviada por L. Rafael Nolli



04/02/2006 17:17

tela de Dino valls



SINOPSE DE UMA AMEAÇA




Quisera me matar por nada. Era o seu prazer dizer vou te matar. Adorava





explicar como estrangularia – ornava as palavra com gestos expressivos,





usando as duas mãos que possuíam calos de punheta e canivete. Os dedos





se retorciam como as raízes de um mangue, enquanto a boca torta





defecava empoeiradas palavras. Vinha de seu âmago o ódio que lhe tomava





as rédeas da razão, que já era pouca e epiléptica. O seu vou te matar,





nascia quase no intestino grosso e subia, emporcalhando de merda corpo





acima – se tornando pedra na subida severina; feria as paredes da





garganta e costumava arranhar o esmalte dos dentes: nasalava um pouco





de pó e areia, ao sair-lhe pelas ventas, deixando seus dizeres quase





engraçados.






Estava lá, diante de mim, seu dedo espichado e retorcido. Caranguejos





passeavam debaixo da unha, que quase tocava meu nariz. Coreografavam um





balé ridículo, em marcha ré, em torno da carniça entulhada na linha da





vida da palma da sua mão.






E era por nada, todo aquele ódio. Vou te matar e pronto. Não iria





roubar relógio, bater carteira, seqüestrar mãe, sodomizar as irmãs,





mijar nos pôsteres na parede. A ameaça era certeira e precisa. Quando





se distanciava um pouco de seu objetivo, dizendo em volteios sua ira,





essa se abrandava em meio a um vocabulário reduzido de expressões





atômicas: as palavras tornavam-se turvas, desprovidas de analogia – mas





sabido como era, logo voltava a frisar seu intento e evocar a morte em





carne e osso como companheira de empreitada.






Ninguém podia duvidar que em breve haveria um corpo estatelado no chão,





retorcido de dor. Tudo era certo: vou te matar e ponto. Ele achava que





me caía bem um cabo de faca saindo pelo umbigo. Parecia haver simetria





nessa imagem, o sangue escorrendo, dando a volta no joelho – o esguicho





manchando o couro do tênis: sabão nenhum haveria de limpá-lo novamente.





Ninguém duvidava que alguém sairia com o apêndice perfurado ou uma





tripa pendurada horrivelmente: todos se perguntando, em particular, se





aquilo seria doloroso, com uma ponta de satisfação por ainda terem as





tripas devidamente resguardadas em suas barrigas.






Claro, seria eu. Tratei de abrir um guarda chuva dentro de mim, pois





havia um temporal me inundando: gotas escapando pelos sulcos arados da





testa, onde mais cedo havia plantado algumas sementes de idéia. Estaria





estragada a plantação. Não haveria colheita no ano vindouro. Tudo





estava encharcado por uma lama espessa, que descia ao olho trazendo





caranguejos que ardiam na pupila como se fossem ácidos. Era inútil ter





essas duas sobrancelhas semelhantes a taturanas: a água as contornavam,





inventando um leito.






Gritar a polícia! Pedir socorro! Apelar pela misericórdia! Dê que





adiantaria? Os crimes aspiram na lei, não na vontade de cometê-los: em





breve ele me encontraria numa rua qualquer. E tudo se repetiria: vou te





matar. O dedo imundo me deixando vesgo. O brilho de uma lâmina polida





brilhando no canto do olho poluído...






Sem mais nem por que, despediu-se de mim com um tá avisado.






Apenas em sonhos voltaríamos a nos ver...


enviada por L. Rafael Nolli



22/01/2006 21:54
ÉDIPO
Para Rafael Borges

tela de Xul Solar

O atavismo escondia-se numa curva do corredor. Foi virá-lo, sem a espera de labirinto algum – em seu fim um quarto, a antípoda, outro – que seu gatilho disparou. O estampido sacolejou-o por instantes, havia muito musgo incrustado em sua meninge, e a pólvora gasofilava os olhos: o pai dormindo era a lembrança que tinha de si mesmo, trinta anos futuros. Restavam brumas. Lembrou do ronco que teria: quase pôde sentir saudades de ainda não o tê-lo.
Recorreu a cadeira. As pernas lhe eram inúteis diante de tantos miolos corrompidos pela explosão, que se propagava para o epicentro da lucidez. Inútil como buscar o furo por onde o projétil da visão adentrara – tal qual seria inútil rever à parede branca em busca do pouco que poderia restar da massa encefálica: resquícios de sangue & infância fingindo-se arte pop, não havia.
Não poderia compreender o fato, como não o pôde compreender hoje, quando ainda era criança e matara seu peixe asfixiado. Tirara-o do aquário – que entediante a vida numa redoma de vidro! – para evitar que o bicho entediado saltasse para outra corrente de água próxima, em busca de diversão (à torneira sempre aberta – lascívia irresistível!); (algum copo de água em curso à boca – fuga para os confins agitados das entranhas. Isso o apavorava em particular: tê-lo nadando pelo líquido/lágrima dos olhos; assolava-o imaginar a dor de chorá-lo algum dia: sua imensa coloração laranja, tão nociva ao seu olho de menino, estragando-lhe os buracos por onde via as coisas do mundo. Simples: levou-o para o conforto de seu quarto.
Dissiparam as brumas. Ainda encontrava-se ali seu pai, como encontra-se todos os dias – hoje mais barulhento do que outro hoje já sucedido por alguns sóis e luas: sempre os mesmos se revezando nas distâncias palpáveis pelos poetas e pelos astronautas, em menor escala.
Depois da epifania, acreditou-se renovado: seria outro homem que não culminasse no homem que ele estava sendo, ali, deitado na cama, roncando como os girinos roncam. Mas o momento agora era pequeno, redimia-se ao orgasmo de sua descoberta: reinventar-se não lhe faria diferente. Seu pai mesmo fôra sempre se reinventando a cada momento para culminar em si mesmo. Achava isso tudo em silêncio. Achava também que não reinventar-se seria incorrer no erro de culminar exatamente no que estava sendo, pois eram grandiosas as possibilidade de todos os caminhos para a invenção permanente de um homem estarem voltadas para ele dormindo e roncando, alguns sóis e luas antes de sua mais notória noite.
Seu genitor, ainda hoje, sepultando o pequeno na latrina, havia lhe explicado – ruminava as lembranças como pedras – que o peixe morrera como haveria de morrer um pássaro incumbido de voar infindavelmente. Tudo seria tão extremo? A descarga soou em seus ouvidos – voltaria a sentar-se ali novamente? Pensou nas imagens faladas pelo pai, relatando um pássaro solto no meio do oceano: uma margem tão distante que fazia as asas lhe valerem tanto quanto dólares. A fidelidade de sua voz inventando o bicho se esquecendo de voar, o reflexo na água se aproximando, um total esquecimento de tudo perpassando em sua minúscula noz, minutos antes de colidir com uma imensa parede líquida. O vôo seria para o pássaro a carícia letal que era levar um peixe para o convívio dos homens?
O que respondera ao pai: nada! O bichinho havia sido morto. No momento extremo, palavras eram pepinos na salada. Na água corrente da descarga, o cadáver deixava-se levar para algum lugar melhor que aquele. Apenas isso ponderava ali, sem bruma alguma, luas e sóis elevados a quinta potência.
Seria irrisório lamentar o peixe assassinado; era momento de estancar o veio de pensamentos que saía-lhe ferimentos afora e escorriam pelo chão encerado. Morrer seria uma maneira de não se configurar em seu pai, que estava morto até o momento do despertador efetuar seu milagre diário.
Dissipou o pouco do vislumbre que persistia e tentou levantar-se, mas a crisálida já havia se prendido na borda da cadeira: iniciava-se ali o amanhã.

enviada por L. Rafael Nolli



15/01/2006 15:06

Tela de Xul Solar

Um Elefante Incomoda Muita Gente

Hoje, como de costume, o assunto é poesia: falaremos do poeta que se espantou ao deparar com um negro falando com a clareza e simpatia humana. Um poeta que demostra um soberbo assombro com a capacidade de um homem negro arremedar o bom-homem-branco, imitando-o com clareza seus gestos e simpatia:

“Olha”
Um preto falando
com toda clareza
e simpatia humana



Há os que afirmem que Francisco Alvim, dono do poema que relega cinqüenta por cento da população brasileira ao patamar dos animais, apenas reproduza a fala corriqueira das pessoas comuns. É de se estranhar logo de início que o citado tenha preferência em capitar as falas desnecessárias: ou freqüenta os lugares errados, onde é de bem reunir-se para uma apetitoso bate papo reacionário, classemediano, fascista, ou simplesmente não queira ver poesia onde não lhe convenha. Um exemplo simples é o verso chamado “Ortodoxia”:

Chego a entender o
Stalin
Para fazer a reforma agrária
Teve que matar
10 milhões de camponeses
Tratamento, que tratamento?
Desculpe o racismo mas
Terapia de crioulo é trabalho


Por um instante é até lógico aceitarmos a afirmação de haver em jogo apenas vozes alheias sendo captadas, pois é difícil conceber que um homem de letras, publicado por uma grande editora, venha a usar as palavras “crioulo”, “preto” dentre outras, com uma carga tão nitidamente pejorativa. Mas essa dúvida não resiste a uma segunda análise. Trata-se sim, de um poeta publicado por uma grande editora utilizando de forma ofensiva termos inconvenientes e desnecessários.
Ainda que fosse uma representação da estupidez de um homem comum – como vocês podem ver não há nada nas entrelinhas, ou linhas que indique tal fato – não seria papel do poeta usar sua arte para algo maior que a mera afirmação da inutilidade? Reproduzindo, simplesmente, um ditado racista o poeta incorre no erro de estar legitimando um ato de segregação. Reproduzindo sem um mísero contraponto, ou mero desacordo, Francisco Alvim acaba assinando um poema em que ao invés da crítica, salienta o caráter depreciativo e se põe como porta voz de uma ideologia de ódio.

Há, como disse antes, os que defendem o fato do citado Sr. usar muitas vozes em seus poemas – salientam que essas são de outras pessoas. No entanto, se são vozes de outros que ele usa, ele não teria a sua própria voz? Uma que pudesse elevar-se sobre tais questões para apontar e denunciar? Um papagaio não faria melhor que isso? E onde ficaria, diante de tal fato, a capacidade de criação artística, tão necessária ao escritor? Onde entraria nesses poemas a construção, a elaboração do verso, a transformação da matéria-prima da fala comum na poesia, produto final da criação do poeta? Estamos diante de um caso nítido de catalogação?
Alguns de seus defensores descambam para o non sense. Esses enxergam na obra analisada uma forma de criticar a frieza concretista. Não seria melhor, para quebrar esse gelo formal, escrever um samba-canção ou um poema inteligente que atacasse os concretistas em si e não toda uma etnia que já tem um pesado histórico de opressão nas costas? São eles os culpados dos concretistas existirem? São eles a válvula de escape para os problemas, querelas miúdas, da poesia? Quer dizer que massacrar a minorias e os excluídos por conta de dissabores pessoais é uma atitude compreensível? É válido e não remete ao crime de racismo desmoralizar e subjugar os negros repetindo slogans fascistas em poemas?

Antes de finalizar, queria me deter em mais um verso que sintetiza muito bem a questão posta em jogo: em que ponto de insanidade podemos aceitar o verso denominado “Ora Veja” como sendo a fala comum dos homens da rua? A pergunta a ser feita é a seguinte: Onde se encontra as tão faladas vozes, dialogando através do “médium-poeta”? Em que ponto podemos fazer uma analogia crítica de tal verso com a frieza concretista? Qual é a alusão que liga esse disparate-poético à escola dos concretos? O poema é curto e certeiro:

O guarda era preto
A moça era branca
Queria limpar a família dele
E sujar a dela


É possível tirar uma conclusão disso tudo: essas muitos vozes em que Francisco Alvim se apoia são as muitas vozes que lhe convém; os contrapontos sensatos lhe escapam. Mesmo que sua intenção fosse boa, o resultado é desagradavelmente ruim: não há nenhuma vírgula que demonstre a mínima vontade do poeta em não ser identificado como autor da frase. Ainda que em algum momento a intenção fosse apenas reproduzir um dito grosseiro, o resultado é dos piores possíveis: o poeta o faz desprovido de visão crítica, isento de análise pessoal, e com isso termina por assinar um verso notadamente excludente.

O assunto de hoje, como o de costume, é poesia.. Hoje, infelizmente, lidamos com a pior espécie dela.

enviada por L. Rafael Nolli



07/01/2006 18:11

O “u” do Protusuário



A boa nova da vez encontra-se em Araxá e atende por Com Fissões de um Protusuário de Boteco. Terceiro livro de Ricardo Wagner, a obra deve ser resenhada como se resenha um cd de rock: iniciar dizendo que o autor é um incansável na busca da composição certa, que a capa prima pelo humor mais ácido, que se alastra por todas os versos como um incêndio.
Mas a resenha deve ir além, adentrar as páginas: o livro prima por qualidades ímpares: atual e inteligente sem ser difícil. Por vezes, as frases aparecem aos trancos, despencando umas sobre os abismos das outras, fazendo conexões improváveis que surpreendem. Ímpar também, ao apresentar elaborações poéticas enxutíssimas, precisas: parece que os excessos foram removidos até que restasse o ápice, explícito: em termos de rock, seria um álbum de solos, ou de refrões:

“ESCREVO CO’A ALMA
PEN NADA”


Como ocorre em música com as audições subsequentes, experimentar o livro amiúde é descobri-lo novo a cada momento – uma única leitura, ou uma breve inspeção, deixará para trás o que há de melhor nesses poemas: a necessidade de decifração: sempre há um poema novo escondido no corpo de outro.

AM ORT EAM O
AMOR TE AMO
A MORTE AMO


Muitos livros cumprem um papel razoável em termos de entretenimento e cultura: enquanto estão sendo lidos, palpitam, informam, encabulam. Mas muitos desses livros, fechados, são mudos – parecem com a sessão de cinema da madrugada com seus filmes que são ótimos para nada. Eis aí a vantagem desse Protusuário: a necessidade de relê-lo, de pensá-lo com calma. Há ainda uma inquietação de ordem espiritual pipocando esporadicamente, como também há um filete do existencialismo, presente nas obras anteriores.
A poesia está longe de ser uma janela que se abre para a distração mais volátil e Ricardo mostra isso com suas peças que se reorganizam a cada olhada: o livro não pára na estante, está vivo.

enviada por L. Rafael Nolli



29/12/2005 16:40
>Olá, camaradas, devido problemas técnicos referentes ao fim de ano, me ausentei por + de uma semana desse espaço. No entanto volto com força total e algumas novidades: fui convidado a recitar esse poema numa das faixas do CD do Davi Dos Anjos, que é um grande músico araxaense. O projeto é absolutamente apaixonante!

XII

Temos que gritar:
seja através de um sopro brando ou um berro de anarquia!

Temos que nos organizar:
seja numa praça, bebendo vodka barata ou qualquer outra porcaria!

Temos que reivindicar:
seja pela paz, pela liberdade ou qualquer outra utopia!

Temos que amar:
seja uma mulher, um cão ou uma filosofia!

Temos que lutar:
seja armado com pólvora, aço ou poesia!

Temos que rebelar:
seja contra verdades provisórias ou por uma surrada ideologia!


enviada por L. Rafael Nolli






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